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ARTIGOS

REDE DE NEGÓCIOS DE TURISMO
(13/02/2011)


O turismo visto como uma rede é um processo posto em movimento em que os benefícios são amplamente compartilhados e há uma maior participação na tomada de decisões relacionadas ao desenvolvimento.
A forma como se desenvolve a rede de negócios de determinado setor influencia diretamente na forma de competir das empresas que a integram, visto que estratégias podem ser estabelecidas, isoladamente e em conjunto, alterando assim o nível de competição do setor.
É fundamental para estabelecer a estratégia competitiva adequada de uma organização que integra uma rede, entender totalmente qual é o negocia da empresa. Isso só é possível, quando se entende quais são os outros negócios que integram a rede da qual a empresa participa.
Pode-se então mencionar que a qualidade tem influencia direta no relacionamento estabelecido entre as empresas de uma rede de negócios. E isso pode influenciar diretamente no êxito ou fracasso de um rede, o que torna imprescindível uma análise das ligações existentes e das ações das empresas pertencentes a rede.
Para o turismo, na prática, redes são iniciativas para desenvolver a cultura associativa entre interesses iguais (indivíduos, empresas, instituições, formas de associações, etc). Os indivíduos – físico ou jurídico – que integram uma rede conseguem reduzir custos, dividir riscos, conquistar novos mercados, qualificar produtos e serviços e ter acesso a novas tecnologias.

Uma rede de negócios pode ser definida como um conjunto de um ou mais negócios conectados por relacionamentos, no qual cada relacionamento de troca ocorre entre as empresas que são definidas aqui como atores coletivos. Em síntese, a rede de negócios é uma configuração de relações entre atores sociais, ou seja, um grupo de organizações ligadas por um ou diversos tipos de relacionamentos.
Entre os participantes da rede de negócios de turismo pode-se incluir
1. Agências de viagem (distribuidoras de serviços turísticos)
2. Operadoras turísticas (organizadoras de pacotes turísticos);
3. Organizadoras de eventos;
4. Hospedagem de todos os tipos;
5. Transportes (aéreos, rodoviários e urbanos);
6. Agências de receptivo (responsáveis pelos serviços no destino);
7. Locadoras de veículos;
8. Instituições financeiras e administradoras de cartões de crédito (financiadores da venda dos serviços);
9. Órgãos oficiais específicos (federais, estaduais, municipais e administradores do patrimônio natural, artístico, arquitetônico e histórico);
10. Mídia especializada (impressa e eletrônica dirigida ao turista);
11. Atividades de lazer e entretenimento (restaurantes, bares, casas noturnas, parques temáticos, museus, centros culturais etc.);
12. Atividades comerciais (lojas, centros de artesanato e de confecção, entre outros);
13. Instituições de ensino (superior e técnico para formação de mão-de-obra);
14. Empresas seguradoras;
15. Despachantes;
16. Sistemas de informações turísticas;
17. Negócios correlatos (câmbio, economia informal etc.).
Verificando a rede de negócios de turismo, fica evidenciada a característica mais significativa de relacionamento entre seus participantes – os produtos turísticos podem ser comercializados através dos produtores diretamente, dos distribuidores oficiais ou ainda de intermediários eventuais. A partir de tais possibilidades, um leque enorme de relacionamentos entre seus membros torna-se viável, o que, dependendo das condições de mercado, podem torná-los parceiros, distribuidores e/ou concorrentes, evidenciando-se assim a complexidade da rede de negócios do turismo.
Ao analisar o turismo em Ubatuba identifica-se um cenário de estagnação com relação à qualidade dos negócios gerados dentro da atividade, e ainda que há muito a ser feito em termos de cooperação e integração dentro dessa indústria, para que se inicie uma rede de negócios propriamente. Atualmente o que se apresenta são alguns negócios comuns inerentes a um agrupamento de empresas complementares. Que ignoram a constituição de uma rede e permitem que interesses individuais sobreponham interesses comuns.
A falta de visão holística do empresariado, somada a falta de participação das entidades representativas evidenciam a fragilidade da indústria do turismo local.Justificando a não consolidação de uma rede de negócios fortalecida e capaz de atuar num ambiente altamente competitivo.


Patrimônio Cultural:  Revitalização
(03/11/2010)
O presente artigo apresenta o patrimônio e sua importância na manutenção da identidade cultural e valorização da comunidade, na construção do processo de preservação e revitalização, garantindo o uso equilibrado do patrimônio. Deve ser respeitada a herança cultural, que embora sofra as influências das circunstâncias do momento, desperta o reconhecimento de cada indivíduo como parte daquela cultura. O patrimônio é um grande acervo, é o registro dos acontecimentos da história de uma cidade, de um povo, e muitas vezes se perde por falta de incentivo ou pela perda da identidade da comunidade, que sofre as mudanças e interferências do mundo globalizado.
A preservação do patrimônio cultural garante que as futuras gerações conheçam sua identidade, suas raízes, saibam de onde vieram. É o fortalecimento do sentimento de pertencer àquela cultura, àquela história, é vivificar o elo do passado com o presente. Através desse envolvimento os patrimônios passam a integrar a realidade das pessoas que vivem no lugar, fazendo com que passem a ter uma identificação, e ocorra a reintegração do patrimônio ao espaço urbano e a alma da cidade. Esse patrimônio passa a estar vivo no presente, e as pessoas usufruem dele de algum modo.
A massificação cultural dos dias atuais, onde há um padrão cultural pode em algumas circunstâncias fortalecer ainda mais, a valorização e a revitalização do patrimônio, que traz valores, símbolos, histórias interferindo favoravelmente nas referências de vida, do mundo globalizado. Diante de tanta tecnologia, parece ser cada vez mais importante manter o vínculo com o passado, com os valores, com a identidade e herança cultural, para ter consciência de seu verdadeiro significado, encontrando o equilíbrio diante da vida moderna. Essa necessidade de se vivenciar algo diferente, pode corroborar com a revitalização de culturas como a caiçara, que ao longo dos anos, foi se perdendo. No entanto, ainda é possível se promover o resgate dos bens culturais dessa comunidade, promovendo um reencontro com a história, e trazendo para o presente às tradições da culinária, das danças, dos costumes, dos rituais, estabelecendo o envolvimento da comunidade na revitalização do patrimônio.
A utilização turística do patrimônio pode gerar desenvolvimento econômico, contudo são necessários estudos multidisciplinares que visem minimizar os impactos negativos, que transformam o patrimônio cultural em produto de consumo, transformando a memória cultural. A preservação do patrimônio deve contribuir para o desenvolvimento material, sem deixar de garantir o bem estar espiritual da comunidade, atribuindo valor à continuidade das manifestações culturais.
Infelizmente no Município de Ubatuba, não há uma valorização do patrimônio histórico-cultural, o que fez com que muito das tradições se perdessem, e ainda, com que os nativos associassem o desenvolvimento e o turismo, a essa perda de identidade. Na verdade, o patrimônio cultural pode ser um atrativo turístico, valorizando ainda mais, as tradições culturais, desde que haja um envolvimento da comunidade e do Poder Público, e o estabelecimento de Leis que incentive a preservação, a revitalização e a utilização dos patrimônios de Ubatuba. Através da inserção da comunidade e de estudos técnicos, é possível evitar que as tradições culturais transformem-se em mero espetáculo, é necessário o envolvimento e o despertar da consciência da comunidade como parte daquela cultura, e do estabelecimento de ações que possibilitem esse processo. É fundamental discutir e planejar ações que levem ao desenvolvimento sustentável da cultura local.
Conclui-se que a revitalização do patrimônio pode transformar a consciência de uma sociedade, quanto a sua identificação dentro do espaço urbano, seu papel diante da aldeia global, e levar ao desenvolvimento econômico equilibrado. A forma de proteção do patrimônio cultural deve, entre outras coisas, passar pelo estabelecimento de normas urbanísticas, que devem constar nos planos diretores e leis municipais de uso e ocupação do solo, e políticas públicas que incentivem a preservação da memória cultural. A revitalização do patrimônio pode garantir a valorização da memória cultural, aproveitando as múltiplas possibilidades das representações do passado, para o desenvolvimento econômico sustentável da região, através da inserção da comunidade e da vontade política do poder público.


Cultura Caiçara – comunidade, globalização e revitalização
(10/10/2010)
Entende-se por caiçaras aquelas comunidades formadas pela mescla étnica, cultural dos indígenas, dos colonizadores portugueses e, em menor grau, dos escravos africanos. Os caiçaras apresentam uma forma de vida baseada em atividades de agricultura itinerante, da pequena pesca, do extrativismo vegetal e do artesanato. Alguns consideram que as comunidades caiçaras se formaram nos interstícios dos grandes ciclos econômicos do período colonial, fortalecendo-se quando essas atividades voltadas para a exportação entraram em declínio. A decadência dessas atividades; principalmente as agrícolas, incentivaram as atividades de pesca e coleta em ambientes aquáticos, principalmente os de água salobra, como estuários e lagunas. No interior desse espaço caiçara surgiram cidades como Parati, Santos, São Vicente, Iguape, Ubatuba, Ilhabela, São Sebastião, entre outras, que em vários momentos da história colonial funcionaram como importantes centros exportadores.
As comunidades caiçaras sempre mantiveram com essas cidades, em maior ou menor intensidade, contatos e intercâmbio econômico e social, também dependendo delas para o aprovisionamento de bens não produzidos nos sítios e nas praias. As comunidades caiçaras passaram a chamar a atenção de pesquisadores e de órgãos governamentais, mais recentemente, em virtude das ameaças cada vez maiores à sua sobrevivência material e cultural e pela contribuição histórica que essas populações têm dado à conservação da biodiversidade, por meio do conhecimento sobre a fauna e a flora e os sistemas tradicionais de manejo dos recursos naturais de que dispõem.
Essas comunidades encontram-se hoje ameaçadas em sua sobrevivência física e material por uma série de processos e fatores. Uma das ameaças a essas comunidades e ao exercício de suas atividades tradicionais se iniciou com a especulação imobiliária, que retirou parte dos caiçaras de suas posses nas praias, obrigando-os a mudarem para as regiões de sertões, onde hoje se encontram a maioria dos caiçaras. Essa mudança provocou outras transformações no modo de vida do caiçara, dificultando a atividade pesqueira, obrigando-o a trabalhar como pedreiro, por exemplo, na construção de casas de veraneio, que estavam sendo construídas de forma constante.
O turismo de massa, que despontava no litoral norte do estado de São Paulo, contribuiu para a desorganização das atividades tradicionais, criando uma nova estação ou safra nos meses do verão, quando muitos caiçaras se transformam em prestadores de serviços. As áreas naturais protegidas, também influenciaram esse processo de desorganização da cultura caiçara, essa transformação de seu espaço de reprodução material e social em parques e reservas naturais resultou em graves limitações a suas atividades tradicionais de agricultura itinerante, caça, pesca e extrativismo, contribuindo para a emergência de conflitos com os administradores dessas unidades de conservação e para uma migração ainda maior para as áreas urbanas, onde os caiçaras expulsos de seus territórios passaram a viver em áreas de sertão, e foram “pré-destinados” ao desemprego ou ao subemprego.
Ainda, hoje o caiçara extrai da natureza seu sustento, seja através da pesca ou da agricultura itinerante. Das matas são retirados cipós, frutos, flores, que são utilizados para uso doméstico ou comercial, através dos recursos florestais são fabricados equipamentos de pesca, instrumentos para lida na lavoura, e o artesanato. Alguns desses equipamentos e instrumentos são fabricados pelos homens, ao passo que outros itens, que incluem cestarias, cerâmicas, remédios caseiros, são, em grande parte, responsabilidade feminina.
A globalização trouxe a massificação, onde todos seguem um único padrão cultural. Este aspecto pode favorecer a valorização e a revitalização do patrimônio, que traz valores, símbolos, histórias que podem interferir favoravelmente nas referências de vida, do mundo globalizado.
A participação da comunidade nos atos de proteção do patrimônio cultural pode ocorrer por duas formas: a primeira, pela participação da comunidade organizada nos conselhos de cultura e nos organismos que decidem os objetos material ou imaterial a serem preservados; a segunda é traduzida pela utilização de mecanismos legais, tais como a ação popular para coibir os atos políticos que ponham em riscos os valores de importância cultural definido pela coletividade. O meio ambiente, nele inserido o patrimônio cultural, é um elemento que contribui para o alcance da dignidade humana, o Município de Ubatuba detém a condição especial de implantar de forma significativa a proteção do patrimônio, preservando a identidade cultural da população e resgatando sua dignidade humana e resguardado a identidade coletiva.

O papel da qualidade
(28/09/2010)

Em se tratando de serviços, deve-se levar em consideração algumas diferenças fundamentais, tais como: serviços intangíveis, serviços não podem ser armazenados, serviços não podem ser inspecionados, serviços não têm tempo médio de vida, serviços envolvem relacionamentos entre pessoas. A qualidade de serviços é subjetiva e não objetiva.
Da mesma forma, não se pode falar em serviços, sem se falar em clientes, pois,toda organização tem clientes internos e externos. E, como o cliente é, fundamentalmente, o ponto mais importante do negócio, a qualidade, em seu atendimento, é relevante para os destinos da organização. Um planejamento adequado, a disseminação completa da informação, o treinamento de todo e qualquer empregado envolvido no processo de bom atendimento podem ser driblados, derrotados por um simples atendimento inadequado da telefonista, por exemplo. A atenção e o cuidado no atendimento são fatores importantíssimos. A empresa deve se precaver, principalmente no que diz respeito ao atendimento de seus clientes que tem reflexos diretos na qualidade. Entretanto, o que pode ser um serviço de boa qualidade para um cliente pode ser considerado como um serviço de má qualidade por outro.
Existem, também, organizações que, em suas atividades, contemplam os dois elementos fundamentais, serviço e produto e em muitas vezes, misturam-se, como é o caso dos restaurantes, os quais devem observar os elementos que os compõem. A empresa que mantém seus clientes felizes é virtualmente imbatível. Seus clientes são mais leais. Eles compram mais, com mais freqüência. Eles estão dispostos a pagar um pouco mais por produto da empresa e a permanecer vinculado a ela através de períodos difíceis, dando-lhe tempo para adaptar-se às mudanças. O cliente satisfeito retorna e divulga a empresa aos amigos, familiares. Os clientes insatisfeitos, descontentes, divulgam o fato a tantas quantas pessoas encontrar. Logo, a disseminação na referência negativa alcança maior número de pessoas, influindo negativamente nos resultados empresariais.
E, para que a qualidade seja praticada e aplicada, é preciso estar atento a todos os fatores que se interpõem ao meio mercantil. Buscar a melhoria contínua, o aperfeiçoamento contínuo é fundamental, é palavra de ordem. Conhecer o pensamento do cliente é o ponto de partida. A moderna gestão da qualidade é mais voltada para a prevenção de erros do que para sua identificação depois da ocorrência. Atualmente, a comunidade empresarial demonstra um amplo interesse em melhorar a qualidade e competitividade.
O serviço ao cliente deve ser um relacionamento, e não uma transação comercial, só se recebe ensinamentos úteis de seus clientes se eles sentirem da sua parte um real interesse em criar uma parceria. Todo e qualquer problema ocorrido com um cliente é uma oportunidade de aprender coisas importantes, é uma oportunidade também de iniciar um relacionamento: afinal o melhor serviço que se pode prestar ao cliente é resolver o problema dele, com rapidez e eficiência.
Ouvir os clientes pode ser muito difícil, porque os valores e as idéias que eles mencionam são muitas vezes coisas que os profissionais nunca consideram. É muito mais cômodo ater-se a números e estatística. É muito mais fácil perguntar aos clientes apenas o que se entende como importante, sem levar em consideração o que dizem nem observar seu comportamento. Praticamente, não existe um processo contínuo e sistemático válido para medir a satisfação do cliente. O resultado disso é uma defasagem entre o que os clientes esperam e o que a gerência supõe que eles esperam. A única maneira de saber, com certeza, como a empresa é vista pelos clientes é perguntando diretamente e avaliando seus níveis de satisfação e percepções, mesmo que isso permita aflorar alguns pontos que devam ser repensados, revistos.

Hotel Boutique: a mais nova tendência da hotelaria moderna
(12/09/2010) 
Ao longo dos últimos anos a hotelaria precisou se reorganizar, para atender as exigências do mercado. Com o aumento do fluxo de turistas estrangeiros no país, e a emissão de turistas brasileiros para o exterior provocou-se a alteração no perfil da demanda hoteleira e conseqüentemente das necessidades dos clientes em relação à hotelaria. A heterogeneidade e a turbulência do mercado estão conduzindo os modos de gestão da nova indústria hoteleira que precisa investir com freqüência na modernização de suas instalações e na manutenção de sua infra-estrutura como formas de manter ou expandir a participação no mercado.
A hotelaria contemporânea pede ambientes limpos arejados e despoluídos, evitando excesso de informação e de objetos sem função. As redefinições fundamentais dos equipamentos e a decoração dos interiores devem ser renovadas entre três e sete anos. Estima-se que a cada 10 anos o empreendimento tenha de ser remodelado em 50% para se reposicionar no mercado. Diante dessa nova realidade de mercado surge uma nova tipologia, o Hotel Boutique, que são empreendimentos hoteleiros de pequena dimensão e serviços personalizados. Normalmente apresenta instalações sofisticadas primando pelo bom gosto.
Historicamente pode-se observar a gradativa aceleração das mudanças na hotelaria brasileira ao longo dos anos. O segmento interage com o seu ambiente, sofre as influências da dinâmica do mesmo e desenvolve ajustes para adaptar-se a novas condições. A evolução da abertura comercial, aliada à realidade nacional vem modificando a forma de concorrência, bem como os padrões de competitividade, de forma especial à relação hóspede-hotel. Trata-se do caso estudado em que nestes hotéis o cliente é recebido por um funcionário e convidado a degustar uma taça de champanhe enquanto faz o check-in, característica essencial em empresas prestadoras de serviços: o foco nas expectativas dos clientes que se quer atrair e reter. Os apartamentos são preparados e atendem a todas as necessidades de conforto e tecnologia de ponta. Também é possível receber massagem e outras terapias, além de optar por serviços de manicure e cabeleireiro no próprio apartamento. Independente do hotel, esse tipo de serviço, apesar de demandar investimentos de implantação, logo se paga, pois os preços são diluídos nas diárias.
Os hotéis-boutique têm na sofisticação e exclusividade do serviço seu diferencial e as grandes redes transformaram alguns apartamentos e até andares inteiros em suítes especiais para hóspede vip. A palavra de ordem passa a ser a diferenciação. A percepção do cliente representa mercadoria de grande utilidade. O cliente está no poder. Ele tem todas as informações e pode comparar com os concorrentes locais, regionais e globais. A diferenciação passou a ser essencial e chegou a um nível de detalhes inimaginável. Tudo é pensado para agradar a cada hóspede. A ordem é personalização do serviço e para isso o hotel dispõe-se a um serviço eficiente, rápido, com qualidade e ao mesmo tempo tem que conhecer as necessidades de cada hóspede, sem generalizar. A batalha pela fidelização do cliente começa no momento da reserva. O primeiro passo é entender o perfil do hóspede para oferecer atendimento personalizado.
O Hotel Boutique é a mais nova tendência da hotelaria moderna. Esse modelo tem como diferencial o projeto que visa especialmente garantir bem estar ao cliente, atendendo as suas expectativas, oferecendo requinte e conforto, aliados a modernas facilidades tecnológicas que garantem um ambiente aconchegante e funcional. O conceito original de Hotel Boutique era de um estabelecimento com uma média de 20 UH’s e com total conforto e arquitetura moderna, no entanto, atualmente as grandes redes nacionais e internacionais estão adequando andares inteiros a essa nova tendência, e apostando no segmento de hotéis-boutique. Um novo segmento são os hotéis boutique de regiões privilegiadas com incomparável beleza natural que aliam a tecnologia e a sofisticação ao conforto, a prática de atividades esportivas, o descanso, charme do lugar, requinte e alta gastronomia.
Manter-se no mercado dinâmico atual, é uma tarefa difícil. Existem varias tendência na indústria hoteleira, os resorts, os hotéis econômicos e os hotéis boutique, cada qual no seu nicho de mercado. Os antigos hotéis estão obsoletos e em desacordo com os novos conceitos da hotelaria moderna e estão sendo reconstruídos para oferecer mais conforto e cumprir as exigências do mercado. No entanto, todos devem preocupar-se com a sustentabilidade de seu empreendimento, não é suficiente seguir a tendência, é necessário um diferencial para manter-se vivo e atuante neste mercado que está em constante mudança.
Os hoteleiros começam a compreender que não basta reajustar o contexto interno. É preciso ir além das fronteiras do hotel para entender o atual cenário. Hotel Boutique é a categoria que melhor retrata a nova tendência da hotelaria na atualidade, e vem ganhando cada vez mais espaço, chegando, em muitos casos, a gerar o dobro do retorno financeiro obtido pelas marcas estabelecidas há mais tempo. A gestão baseada em serviços enxerga a relação com os clientes sustentados em diferentes pressupostos, embora o conceito venha sofrendo mudanças na mesma velocidade que a atividade hoteleira se desenvolve.

Turismo – vilão ou mocinho?
(06/09/2010)
Segundo a Organização Mundial de Turismo (OMT, 2001): o turismo é um fenômeno social, que compreende as atividades realizadas pelas pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes de seu entorno habitual por um período consecutivo inferior a um ano com a finalidade de lazer, negócios ou outros. O turismo se tornou uma forma particular do uso do tempo livre, que é o tempo utilizado para aproveitar o ócio, ou seja, o tempo dedicado ao espairecimento, à distração ou ao entretenimento, e que deve atender as necessidades correspondentes ás novas exigências da qualidade de vida.
Devido ao deterioramento da qualidade de vida nos grandes centros urbanos, as regiões de grande oferta de recursos naturais, tornam-se atrativos. A busca pela qualidade de vida não se restringe aos turistas, a comunidade receptora deve ser conscientizada e sensibilizada, e ter garantido o mínimo de bem-estar. A qualidade de vida dos cidadãos deve alcançar níveis desejáveis em todos os campos: físico, biológico, cultural, social e psíquico, é esse o ponto. A não participação da comunidade receptora e a falta de envolvimento com a atividade turística podem ocasionar um grande conflito, prejudicando sensivelmente o planejamento turístico e impactando negativamente no modo de vida da comunidade local
O turismo quando adequadamente planejado é o propulsor de desenvolvimento para um município, mas traz a luz da reflexão, os aspectos negativos causados pela evolução desta atividade. Os impactos do turismo sobre o meio ambiente, o patrimônio cultural, natural e a comunidade local, bem como, suas conseqüências mudam constantemente, devido ao dinamismo da atividade turística. O impacto gerado pelo turismo depende tanto do volume de turistas quanto de algumas características do perfil desses visitantes, e ainda, do planejamento da atividade turística. A intensidade dos impactos apresenta-se em diferentes níveis, e podem em alguns casos, serem irrelevantes e em outros comprometerem as condições de vida ou a atratividade das localidades turísticas.
O turismo pode ser o “mocinho”, quando há políticas públicas que visem o desenvolvimento turístico equilibrado, evitando que o turismo destrua as bases que o fazem existir. Em contrapartida, em municípios onde o turismo é praticado desordenadamente, a atividade turística é percebida pela comunidade local negativamente, tornando-o “vilão”.
A atividade turística pode proporcionar desenvolvimento para um município, assim como pode causar um impacto extremamente negativo, o importante é desenvolver a atividade turística de forma responsável, com equilíbrio e planejamento. Manter espaços preservados e/ou conservados pode ser uma estratégia utilizada para atrair turistas mais conscientes a cidade. Um dos principais problemas da ausência de planejamento em localidades turísticas reside no crescimento descontrolado, que pode levar à descaracterização e à perda da originalidade das destinações que motiva o fluxo dos turistas, bem como, o empreendimento de ações isoladas, esporádicas e eleitoreiras desvinculadas de uma visão ampla do fenômeno turístico. Apenas um planejamento de longo prazo, determinará medidas quantitativas e qualitativas que conduzirão a um produto turístico, que interessará tanto à população residente como aos turistas.

Planejamento Urbano
(25/08/2010)
É importante entender a cidade, como um meio ambiente em constante transformação, e que realiza trocas com o meio ambiente natural. A valorização do aspecto humano e o entendimento de cidade como espaço de prática da cidadania e convívio social, significa adotar uma regulamentação do espaço urbano que garanta a qualidade de vida e permita a transformação contínua da cidade. A reforma urbana é, sobretudo a adequação das cidades para que internamente passem a promover a justiça social, possibilitando aos seus habitantes: habitação, trabalho, recreação, circulação e uma vida humana digna. Estas medidas geram economias externas, promovem mudanças sociais capazes de transformar “crescimento” em “desenvolvimento”, de forma sustentável.
O planejamento urbano é o processo de idealização, criação e desenvolvimento de soluções que visam melhorar ou revitalizar certos aspectos dentro de uma determinada área urbana ou do planejamento de uma nova área urbana em uma determinada região, tendo como objetivo principal proporcionar aos habitantes uma melhoria na qualidade de vida. O planejamento urbano, lida basicamente com os processos de produção, estruturação e apropriação do espaço urbano. A interpretação destes processos, assim como o grau de alteração de seu encadeamento, varia de acordo com a posição a ser tomada no processo de planejamento e principalmente com o poder de atuação do órgão planejador.
Qualquer plano ou projeto que vise o planejamento territorial deve ser implementado de forma gradativa e em longo prazo, devendo ser desenvolvido em bases apartidárias, cabe ao Poder Público Municipal, estabelecer políticas públicas que permitam preservar a extraordinária beleza natural e a significativa biodiversidade da região, além de tomar medidas que beneficiem o desenvolvimento sustentável.
O Estatuto da Cidade é um marco no que tange o ordenamento territorial dentro do sistema jurídico brasileiro, abriga diretrizes inovadoras como a gestão participativa e democrática, a garantia do direito a cidade sustentável, integração entre atividades urbanas e rurais, contribuindo para o desenvolvimento sócio-econômico e preservando o meio ambiente, entre outros.
É ilusão imaginar que a configuração de uma cidade se dá de forma aleatória, na realidade existem interesses e estratégias de construção do espaço urbano, que muitas vezes tem interesses urbanísticos, com implicações econômicas, financeiras e políticas. A cidade pode ser descrita como um espaço construído dentro de um processo de ocupação espacial e apropriação de seus recursos naturais, bem como da reprodução do organismo social dos moradores que ao intervir no espaço urbano, busca adaptá-lo a suas características e necessidades. Nesse processo há integração com ações complexas de urbanização, industrialização, crescimento demográfico, tecnologia, segregação, violência, etc.
Atualmente há a necessidade de se ordenar adequadamente o espaço urbano, além dos padrões usuais que influenciam na ocupação/expansão do espaço, o que torna imprescindível o planejamento urbano. Há uma nova perspectiva de ocupação do espaço urbano: o da cidade sustentável.
Ubatuba, assim como as outras cidades do Litoral Norte do Estado de São Paulo, está entre a área costeira e a Mata Atlântica. Esse aspecto demonstra a importância de se realizar um planejamento urbano visando à ocupação ordenada do espaço litorâneo, e a preservação e conservação do patrimônio ambiental, promovendo o desenvolvimento sustentável, que atenda as necessidades socioeconômicas da população residente.

Planejamento turístico uma ferramenta para a sustentabilidade
(15/08/2010)
Na atualidade a qualidade de vida tem sido uma busca incessante, favorecendo localidades que contam com exuberante beleza natural e com infra-estrutura adequada as necessidades do mundo globalizado. Estes aspectos privilegiam o desenvolvimento da atividade turística em cidades como Ubatuba, com localização singular entre os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e próxima da região do Vale do Paraíba. No entanto, para que ocorra o desenvolvimento sustentável da cidade, bem como, da região na qual esta inserida, é fundamental a realização de um planejamento holístico, que trate das questões ambientais, culturais, de política urbana e da atividade turística.
Os impactos do turismo sobre o meio ambiente e suas conseqüências mudam constantemente, devido ao dinamismo da atividade. “O impacto gerado pelo turismo depende tanto do volume de turistas quanto de algumas características do perfil desses visitantes” (THEOBALD, 2002, p.86). A intensidade dos impactos apresenta-se em diferentes níveis, e podem em alguns casos, serem irrelevantes e em outros comprometerem as condições de vida ou a atratividade das localidades turísticas.
O planejamento é de extrema importância para o desenvolvimento turístico equilibrado, evitando que o turismo destrua as bases que o fazem existir. Planejamento é uma palavra bastante ambígua e de difícil definição, que pode ser conceituada como “um processo baseado em pesquisa e avaliação, que busca otimizar o potencial de contribuição do turismo ao bem estar humano e à qualidade de vida do meio ambiente” (Getz, 1987, Hall Michael, 2001). Portanto, faz-se necessário a elaboração de políticas públicas e de planejamento que visem à criação de estratégias que protejam o patrimônio humano e a biodiversidade, e ainda, que permita que à produtividade seja sustentada á longo prazo para gerações futuras e por fim, o equilíbrio de justiça e oportunidades.
A preservação dos recursos naturais se faz necessária para que se mantenham os atrativos. Manter espaços preservados e/ou conservados pode ser uma estratégia utilizada para atrair turistas mais conscientes a cidade. Um dos principais problemas da ausência de planejamento em localidades turísticas reside no crescimento descontrolado, que pode levar à descaracterização e à perda da originalidade das destinações que motiva o fluxo dos turistas, bem como o empreendimento de ações isoladas, esporádicas e eleitoreiras desvinculadas de uma visão ampla do fenômeno turístico. Apenas um planejamento de longo prazo, determina medidas quantitativas e qualitativas que conduzem a um produto turístico, interessante tanto à população residente como aos turistas.
Existem algumas metodologias para se detectar as tendências do desenvolvimento do turismo, fornecendo subsídios que fundamentem a elaboração de planos, fornecendo dados capazes de orientar as ações de investidores e empresários do setor. Essa avaliação é extremamente importante para o Município de Ubatuba, uma vez que não há nenhum trabalho realizado neste sentido. O primeiro passo a ser dado para se realizar um planejamento turístico, é a elaboração de um inventário, composto por elementos físicos, sócio-econômicos e culturais do Município. Esse instrumento é fundamental para administradores e autoridades na elaboração das diretrizes para o desenvolvimento do turismo sustentável, sendo capaz de possibilitar o conhecimento holístico do Município

Turismo de massa versus turismo sustentável – o que temos e o que podemos ter
(08/08/2010)
O turismo tem sido tratado como a salvação de muitas localidades que se encontram em situação econômica debilitada. Se o turismo está estagnado os investimentos não ocorrem e a população tem uma queda na renda, o que atinge todos os setores do comércio, direta ou indiretamente. Apesar do turismo indicar uma transformação favorável à economia, para se alcançar esses efeitos, é necessário minimizar os impactos negativos, como a total dependência da cidade da atividade turística.
O Turismo de massa também chamado turismo de sol e praia. É o mais convencional, passivo e sazonal tendo a sua criação vinculada à consolidação do capitalismo o que propicia o surgimento do seu público alvo, a classe média. É normalmente menos exigente e desprovido de um maior conforto, pois é um segmento turístico voltado para a classe intermediária da sociedade e tem como característica principal o seu baixo custo.
A Organização Mundial do Turismo (OMT) constata que o turismo de massa ainda está na sua “infância”, pois, diferentemente do turismo “elitista”, conserva ainda uma importante demanda latente, dependendo, portanto da conjuntura econômica e particularmente do aumento do poder aquisitivo da população gerando uma “Classe média”.
Municípios caracterizados pelo “turismo de massa” e pelo “veranismo”, onde durante épocas específicas do ano (feriados prolongados e férias escolares), concentra-se um grande número de pessoas, em busca de sol e praia, provocando a sazonalidade, sofrem as conseqüências desses efeitos e tornam-se pouco atraentes a turistas que buscam o turismo sustentável, que é aquele que procura minimizar os impactos ambientais e sócio-culturais, ao mesmo tempo que promove benefícios econômicos para a comunidade local.
Alguns aspectos negativos do turismo de massa como a insuficiência dos equipamentos e da infra-estrutura existente, graves congestionamentos nas vias de acesso, desabastecimento de água na rede publica, sobre-uso do sistema de esgotamento sanitário, coleta de lixo inadequada; aumento de preços das mercadorias de necessidades básicas, provoca danos a comunidade local e ao meio ambiente, que sofrem as conseqüências da atividade turística não planejada.
Sendo assim, há a necessidade de se conciliar a preservação do meio ambiente, no seu mais amplo sentido, com o desenvolvimento econômico, o que permitiria o envolvimento da comunidade e resultaria na distribuição eqüitativamente dos benefícios alcançados. O desenvolvimento do turismo sustentável permite a integração do homem com o meio ambiente, respeitando os limites de capacidade de carga das áreas visitadas; possibilita a conservação e revitalização da herança cultural e natural, principalmente quando há o envolvimento de todos os atores, garantindo a satisfação do turista que busca conhecer novas culturas, sem que ocorra a transformação da cultura em espetáculo.
Considerando-se que o turismo desordenado causa impacto negativo nos recursos naturais, culturais, sociais e econômicos, agravando a situação de declínio de um Município, enfatiza-se a importância da realização de um planejamento turístico e, da elaboração de propostas que visem o desenvolvimento integrado, proporcionando uma subsistência segura, minimizando a degradação ambiental, a descaracterização cultural e a instabilidade social.
Cultura Caiçara
(31/07/2010)
A origem do termo caiçara vem do Tupi-Guarani, que denomina caá-içara o homem do litoral. Porém, inicialmente esta palavra era utilizada, por estes povos, para denominar as estacas colocadas à volta das tabas ou aldeias e o curral feito de galhos de árvore fincados na água para cercar o peixe. Com o passar do tempo, passou a ser o nome dado as palhoças construídas nas praias para as canoas e os apetrechos de pesca.
A cultura caiçara é o reflexo de um povo muito trabalhador, alegre, criativo e que possui profunda relação com o seu meio natural. Quando se pensa no povo caiçara logo vem a imagem da canoa e do pescador, e esse é um retrato real da identidade dessa comunidade, pois a pesca sempre foi a garantia da sobrevivência. Os pratos a base de peixe variam do tradicional “azul marinho a tainha na areia”, que é enrolada na folha de bananeira e depois assada num buraco na areia.
As comunidades caiçaras que habitavam a região litorânea constituíam-se de pequenos núcleos familiares, formados através das gerações, e que baseavam seu modo de vida na alternância entre a pesca e a agricultura. O povo caiçara era detentor de um saber natural, um grande conhecimento de pesca, ciclos da lua, plantas medicinais, técnicas de caça, que aplicavam nas atividades cotidianas. Esse modo de vida encurtava os laços com o local e proporcionava uma identidade forte e única, um sentimento de pertencimento. Os saberes da cultura caiçara eram passados de pai para filho, e esse conhecimento perpetua-se até os dias atuais.
Outras características da cultura caiçara que merecem destaque são a música, a religião, o artesanato, a culinária, as lendas e mitos, que ao longo dos anos foram se perdendo. A preservação da cultura garante que as futuras gerações conheçam sua identidade, suas raízes, saibam de onde vieram. É o fortalecimento do sentimento de pertencer àquela cultura, àquela história, é vivificar o elo do passado com o presente. Através desse envolvimento a cultura popular integra a realidade das pessoas que vivem no lugar, fazendo com que passem a ter uma identificação, e ocorra a reintegração dos hábitos e costumes a alma da cidade, mantendo viva toda a história daquele povo.
Diante de tanta tecnologia, parece ser cada vez mais importante manter o vínculo com o passado, com os valores, com a identidade e herança cultural, para ter consciência de seu verdadeiro significado dentro desse mundo globalizado, encontrando o equilíbrio diante da vida moderna. Essa necessidade de se vivenciar algo diferente, pode corroborar com a revitalização de culturas como a caiçara, rica em conhecimento e signos. Ainda é possível promover o resgate dos bens culturais caiçara, promovendo um reencontro com a história, e trazendo para o presente às tradições da culinária, da dança, dos costumes, dos rituais, estabelecendo o envolvimento da comunidade na revitalização do patrimônio.
A comunidade é a verdadeira responsável pelos valores culturais, a cultura pertence à comunidade que produziu os bens que a compõem. Por isso, a recuperação das tradições culturais, e a decisão diante da destinação do bem cultural devem ter a participação da comunidade. A valorização de identidades culturais está na capacidade de estimular a memória das pessoas que estão historicamente inseridas naquele meio, garantido a memória cultural e favorecendo a qualidade de vida daquela comunidade. Preservar a cultura caiçara é um desafio, bem como, manter preservada a diversidade cultural é um atrativo, já que a cultura é um insumo turístico importante.
A gastronomia como atrativo turístico
(22/07/2010)
Na atualidade, a atividade turística está intimamente interligada a gastronomia. Cada vez mais, o turista busca o contato com a natureza, com culturas diferentes e por sabores, promovendo a gastronomia a um lugar de destaque no segmento turístico, que possibilita a experiência de contato com a diversidade cultural.
O turista vivencia experiências novas, conhecendo pratos típicos de uma região, ingredientes e produtos que representam a memória de uma cultura. Cidades como Ubatuba oferecem um repertório de especialidades culinárias e paisagens naturais, que são elementos determinantes da experiência turística. Esse aspecto desperta o imaginário dos habitantes urbanos, que desejam buscar uma realidade distinta de seu cotidiano.
A cozinha tradicional caiçara construída a partir da herança cultural, conversa com a identidade consolidada no imaginário popular, no entanto, sobre novos arranjos, que contam com uma pitada de ousadia e contemporaneidade.
Com certeza, experimentar um prato típico como o Azul Marinho, sentado defronte para a praia é uma experiência única, incomparável com a sensação de prazer de saborear o mesmo prato num grande centro urbano, a especificidade culinária e o ambiente natural transformam-se em estimulo para o turista, que deixa sua cidade em busca da experiência de experimentar a sensação de pertencer àquele território e àquela cultura.
A culinária caiçara é de preparo simples mais repleto de signos. Os caiçaras retiravam das roças de subsistência, da mata, dos rios e do mar os ingredientes, obedecendo um ciclo determinado por um complexo calendário, que está ligado a história do povo caiçara e seu desenvolvimento. Conhecer novas culturas, suas particularidades, alimentos e sabores, faz com que o turista vivencie um momento especial, como se fosse um ritual de prazer. Os rituais gastronômicos são tratados pelos turistas, como novas descobertas.
A gastronomia pode ser um produto turístico capaz de corroborar com a revitalização econômica e cultural de uma cidade. Para isso, faz-se necessário aprofundar o conhecimento das peculiaridades da cozinha local e sua relação com o espaço e a comunidade

A interconexão entre turismo e cultura no mundo globalizado
(17/07/2010)
O mundo globalizado está em constante transformação, e as mudanças culturais acompanham essas transformações. Considerando que cultura está associada à aquisição de conhecimentos, as crenças, a arte, a moral, as leis, os costumes e outros hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade, pode-se afirmar que cada sociedade tem sua cultura. O que leva a concluir que cultura e sociedade estão interligadas.
A globalização é uma das temáticas mais polemicas do ponto de vista da afirmação cultural de um povo. Existem duas forças antagônicas, uma impulsiona a humanidade para a unificação, e a outra para a diversificação. Ao mesmo tempo em que torna a cultura acessível a todos, permite a defesa das suas próprias referências culturais. Se por um lado a globalização promove a massificação da cultura, por outro valoriza em escala mundial os costumes, os mitos, as crenças locais, promovendo a preservação, conservação e a revitalização da cultura.
O turismo é um exemplo de atividade econômica que se construiu no desenvolvimento tecnológico dos meios de comunicação e transportes e na recente organização social gerada a partir da revolução industrial, não tem fronteiras políticas e seu produto se baseia nos atrativos naturais e culturais e nos serviços prestados pelos diferentes povos do planeta.
A cultura corresponde às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo. Isto significa que a preservação das raízes culturais dos povos, deixará os limites físicos dos territórios. O revitalizar de pequenos costumes e tradições locais, devolverá a riqueza da multiplicidade de comportamentos e manifestações de um povo. A globalização é um dos processos de aprofundamento da integração econômica e social dos países do mundo, é um fenômeno observado na necessidade de formar uma aldeia global que permita maiores ganhos para os mercados internos já saturados.
Ao conhecer a cultura de um povo, ou seja, o significado de cada representação identifica-se que está, intrinsecamente e inteiramente, dentro de um contexto socioeconômico. A cultura é construída com base na tradição, no entanto, se transforma e se reestrutura diariamente. O turismo é uma forma de preservação do patrimônio cultural, quando parte de um plano de revitalização, que funciona como um potente instrumento contra a descaracterização da identidade cultural. Permitindo uma aprendizagem de troca de conhecimentos e experiências, essas trocas podem produzir ganhos para a comunidade receptiva ou provocar a inquietação em função das diferenças sociais, ainda mais difundidas no mundo globalizado.
O que se conclui é que a cultura se transforma do macro ao micro na era da globalização, mas das culturas universais às culturas locais, toda sociedade tem sua cultura própria, com particularidades regionais ou com padrões universais. A globalização implica na presença de contradições em vários níveis. O turismo cultural é um fenômeno de natureza ambígua sob o prisma do impacto da globalização, que tanto promove o desenvolvimento como mudanças negativas, seja na preservação do patrimônio cultural ou no aspecto sócio-econômico, produzido pelos planos turísticos.
Todas as regiões que vivem sob o fenômeno do turismo, e que dependem dele para o seu desenvolvimento econômico reconhecem sua importância, inclusive para o crescimento cultural. O tradicional se mistura com o moderno, e a atividade turística no mundo globalizado corrobora com a manutenção da identidade cultural de um povo. Desde que haja um envolvimento da comunidade receptora e sua valorização cultural e que o turista também esteja preparado para esta relação, evitando assim o choque sócio-cultural.